Eu Vejo Flores em Você

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É óbvio que ela não queria admitir, mas talvez tivesse exagerado um pouquinho na dose. Aquele salão enorme que se estendia ao seu redor pulsava exatamente no mesmo ritmo de suas veias: forte, entrecortado, causando manchas em sua visão dum modo em que ela nem conseguia mais distinguir qual forma era qual porque tudo se fundia em curvas e espirais... Gargalhou. Olhou para a esquerda, depois para a direita, todos os seus sentidos pareciam estar funcionando cinquenta vezes melhor do que seria adequado para a sobrevivência.  A música ecoava de todos os lados, dava pra sentir o som se fundindo ao cheiro de maconha que se parecia muitíssimo com a temperatura da parede. Ela olhou para cima, depois pra baixo, quem era aquela deitada em seu colo, mesmo? Mary, Gaby, Ellie, Effy... Olhou para frente, só enxergava corpos, dezenas deles, movimentando-se como um só, um grande órgão multicolorido formado por suor e desejo de tom meio arroxeado, sem nem um quê de desbotado. Ela achou aquilo tudo bem engraçado, estava tudo bastante engraçado na verdade. A garota no seu colo tinha uma voz muito, muito aguda e murmurava loucamente de olhos fechados, rindo tanto quanto ela. Não dava pra entender nadinha, nem uma palavra... Era hilário, porque tantos insetos voavam por ali, mesmo? Ela daria qualquer coisa pra entender aquilo e o porquê de as vozes parecerem mais altas do que a música. Lembrou de sua vizinha, ela ia adorar tudo aquilo, todas aquelas cores, aquele barulho, aquele cheiro... O riso não saía de seus lábios, mas que sensação esquisita! Definiu que era assim que um unicórnio se sentia, com certeza era assim. Ela gostava de ser um unicórnio. 

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