Sobre Europa

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Europa saiu pra caminhar. O Sol brilhava, mas ela não tinha rumo. Europa só queria um pouco de distância de tudo aquilo que lhe fazia bem e mal. Gostava da sensação de vazio e de ouvir o farfalhar das folhas de primavera. Embora não quisesse mais voltar pra casa. As pessoas olhavam estranho pra ela, mas não fazia o menor sentido se incomodar. Era tudo tão simples para Europa. Era tudo tão indolor para Europa. Largar tudo e nunca mais voltar, despir-se física e mentalmente para ser recebida de braços abertos pela liberdade, pela possibilidade de não ser mais quem precisava fingir ser antes. Europa sabia que nem todos eram como ela. Sabia que as noticias nos jornais nem sempre eram como deveriam ser, nem sempre eram como aparentavam ser. E ela sentia frio apesar do Sol, pois a brisa costumava brincar de ser geada. Europa sentia saudades dos dias de bebedeira irresponsável que nunca tivera e sabia que se realmente não voltasse mais, não teria seus assim sonhados dias de glória. Europa deu meia volta e sentou-se novamente no sofá, pois sabia que não devia sair de lá até que alguém gritasse para que o fizesse. Europa tinha certeza de que era impossível mudar o mundo.

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