Sobre o medo

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Não era porque ela queria, ela apenas sentia. Não era programado ou evitável, trazia uma sensação de vazio e um nó na boca do estômago, suas pernas ficavam bambas e seu coração acelerava descompassado, ela perdia o controle de seu próprio corpo e só conseguia pensar naquela situação pela qual passava. Todo e qualquer ruído a irritava, as crianças falando ou as árvores farfalhando, só queria o silêncio e o direito de ficar quieta em seu canto tomada pelo vazio. Era a perspectiva de que poderia acontecer ou o próprio fato em si, ela não sabia, apenas sentia e ia tomando-a por completo. Lentamente já não conseguia mais controlar suas mãos que tremiam ou manter os próprios pés parados. Aquilo não melhoraria até que saísse de lá. O calor foi tomando conta de seu corpo, dos pés ao pescoço, sufocando-a, ela precisava de ar! Precisava sair gritando, correndo, chorando! Mas não podia. Estava presa. Entre quatro paredes, em sua própria cabeça. Poderia tomar posse do medo e transforma-lo em segurança? Não tinha ajuda, não tinha companhia, era apenas ela, sozinha. Respirou fundo, sentiu o ar invadindo seus pulmões por completo e então desistiu, continuou deitada. Não tinha segurança, nunca teria. Apenas o medo. Para sempre.

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